Mais um case de sucesso: A conversão SS>CB de Tre Flowers

Nesse post iremos analisar o ano de Flowers, assim como trouxemos o ano de Brown anteriormente. Ele foi um dos jogadores mais regulares da equipe em geral, e talvez a escolha que mais rendeu na equipe nesse último draft (mais a frente analisaremos a classe por completa). Tre Flowers nada mais é do que mais um caso de sucesso de Carroll/Schneider. Sou suspeito para falar porque sou um grande entusiasta desses projetos de conversão, por isso torci muito por ele esse ano numa temporada que teve saldo positivo para o CB.

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Foi uma das escolhas que não foi tão badalada, e que muitos poderiam pensar que nem se manteria no elenco nos cortes finais, mas surpreendeu a todos. Em um dos primeiros textos do site trouxemos aqui no site, uma análise da secundária jovem e falamos de Flowers. Lá destacamos que Flowers chamou a atenção pelo seu tamanho de 6-3 e seus braços longos de 33 7/8 inches. Ele era o CB mais alto e com maior envergadura que foi para o combine, o mais próximo dele foi Isaiah Oliver que tinha 6-0 e 33 inches de comprimento de braço. Além disso no combine correu 4.4 mais do que os queridinhos Derwin James, Terrell Edmunds e Minkah Fitzpatrick. É claro que essa velocidade nem sempre se traduz no jogo, é preciso ter leitura de jogo e velocidade de mudança de direção. Essa última talvez seja a maior deficiência de Flowers.

VEJA TAMBÉM:A nova secundária dos Seahawks – Parte 1 – Cornerbacks

Na pré-temporada ele alinhou muitas vezes contra o físico Brandon Marshall e apesar de ter levado a pior em alguns lances aprendeu e evoluiu muito durante esse tempo. Além disso ele comentou no começo do ano que treinava seus movimentos na frente do espelho, foi um dos que mais evoluiu durante a preseason tendo todo seu esforço recompensado. Vale salientar o que sempre digo, que Carroll pode ter vários defeitos, mas é uma máquina de criação de CBs. Com Flowers não foi diferente, apesar de ter começado o ano não tão bem, foi crescendo durante toda a temporada, mesmo passando pela transição college-NFL que é difícil, a conversão safety-corner que é mais difícil ainda e por último ser cornerback da complexa secundária de Seattle que é uma missão quase impossível.

Vamos analisar alguns lances dele durante o ano:

Na preseason conseguiu meio sack vindo do slot na blitz. Alinhou algumas vezes nessa posição somente na pré, justamente por ser batido em alguns double-moves e uma coisa fundamental para um slot é a velocidade para mudar de direção.

A temporada regular não tinha começado bem, numa falha de comunicação deixaram Lindsay livre para marcar o TD, apesar de eu acreditar que a falha foi de Shaquem no posicionamento no flat.

Aqui marcando passo a passo e quase conseguindo desviar o passe. Bater Flowers em rotas verticais é algo difícil.

Na semana 3 ajudou a gerar um turnover desviando a bola para a maravilhosa interceptação de Thomas. Aqui a gente pode ver uma das coisas que mais gosto em Flowers, a sua persistência. A jogada parecia que estava controlada, mas ainda sim ele manteve o foco e conseguiu desviar o passe.

Atenção na parte de cima da tela,o contato que ele faz no recebedor chegando até derrubá-lo, depois disso ele sai para impedir a corrida.

Semana seguinte, mais uma vez mostrando força e persistência forçou um fumble contra Arizona utilizando a técnica de “strip” (que é a tentativa de arrancar a bola dos braços do adversário). Ao ver suas jogadas de tackles você sempre perceberá o uso dessa técnica.

Na semana seguinte contribuiu em mais um turnover dessa vez quase na linha de gol contra os Rams usando toda sua envergadura para desviar a bola.

Com a combinação de rotas dessa jogada, Flowers deveria ter escolhido seguir o recebedor e ajudar o safety. Nesse lance a falha maior foi de Thompson, mas Flowers teve um erro de leitura.

Ainda contra os Lions defendeu essa ótima slant, chamo atenção para o seguinte ponto do lance: a execução do step-kicktécnica fundamental para os defensive backs de Seattle. Essa técnica consiste em tentar não espelhar o adversário no começo da jogada, perceba que Tate “dança” n a frente de Flowers e ele permanece paciente e só quando o WR parte para sua rota real, ele executa a jogada.

Contra os Chargers teve uma marcação passo a passo que fez o passe de Rivers ficar ainda mais destacado, janela mínima para a recepção. Talvez o único ajuste a se fazer aqui seria o posicionamento das mãos.

Mais a frente naquele jogo desviou mais um passe. Mais uma vez ficou um passo atrás do seu adversário e conseguiu fazer o desvio graças a sua envergadura.

Aqui (último vídeo) ele perde ao tentar fazer o press (técnica em que o DB tenta empurrar o recebedor na linha de scrimmage para atrapalhar o desenvolvimento da sua rota) e permite que Adams fique livre e poderia ter sido um avanço para muitas jardas.

Logo no começo do jogo forçou um fumble que foi para fora do campo, mas que demonstra mais uma vez sua concentração e foco em tirar a bola. Detalhe para leitura que ele faz para fazer o movimento praticamente perfeito ao dar o soco na bola.

Mais uma demonstração de sua habilidade de strip, só uqe mais uma vez o time dos Panthers teve sorte e manteve a posse da bola.

Aqui teve a jogada do jogo, que limitou os Panthers a uma tentativa de FG (que foi para fora) e deu sobrevida ao time de Seattle. Ele mantém a marcação apertada, não foi batido pelo tráfego no meio do campo e rastreia muito bem a bola, além de um técnica de tackle perfeita.

Aqui mais uma vez ele demonstra sua habilidade para fazer tackles em campo aberto, no um contra um enfrentando o ótimo Dalvin Cook, ele impede o avanço maior dos Vikings.

Aqui apesar de estar passo a passo numa marcação apertada, acabou permitindo a recepção, mais uma vez méritos para o recebedor e QB, assim como no lance contra os Chargers mostrado mais acima. E assim como dito lá, talvez o ajuste fosse o posicionamento das mãos para o ataque da bola.

No final do jogo por pouco não conseguiu a interceptação, Cousins arriscou e quase pagou caro, aqui sim mostrando uma excelente leitura para atacar a bola impediu um passe completo.

Aqui falhou um pouco no press mas manteve a concentração e foco para conseguir desviar o passe.

Aqui mostrando um ótimo diagnóstico rápido em um screen coisa que ele fez muito bem durante toda a temporada, ajudando aqui Thompson a finalizar a jogada.

Foi uma temporada de sucesso para Flowers, já que ele mostrou uma adaptação muito boa no ano de calouro a um sistema bastante complicado. Inclusive ele demonstrou tranquilidade e foco, não se desesperando durante as jogadas, o que as vezes acontece com calouros e acaba gerando faltas e leituras equivocadas, mesmo quando batido seguiu sem desistir até o fim.

Em 15 jogos ele teve 6 passes defendidos, graças a suas habilidades físicas (velocidade e envergadura) , e teve uma melhora na sua leitura de jogo no decorrer da temporada, saindo de leituras simples para diagnósticos mais complexos. Explico: a maioria das secundárias (e principalmente em Seattle) tem a mentalidade de primeiro impedir avanços longos antes de qualquer coisa, então muitas vezes ele era batido por escolher cobrir a rota longa para evitar ser queimado e acabava permitindo uma separação em rotas mais curtas.

Talvez o maior desafio da conversão de safety para cornerback seja a técnica do press, olhando o tape dele no college e comparando com o que ele mostrou na NFL, temos uma evolução absurda, mas ainda assim há espaço para evoluir nesse quesito fundamental para secundária dos Seahawks que tem como característica a fisicalidade. Além disso outro ponto a se melhorar é a mudança de direção, que evoluiu bastante assim como as leituras de jogos, no decorrer da temporada, mas ainda precisa melhorar, até para que ele possa ter mais versatilidade na secundária e poder ser usado em blitz.

Ele foi o jogador da secundária com maior eficiência nos tackles, num ano em que tivemos MUITOS TACKLES PERDIDOS, mostrando uma ótima técnica e terminando o ano com 67 tackles combinados, o terceiro do time. Além de ter forçado 3 fumbles, mostrando agressividade e mentalidade de gerar turnovers (que é um mantra em Seattle) e ainda recuperou 2 para fechar seus stats.

Com isso tudo trazido aqui e com o comprometimento que ele mostra nos treinamentos, estou ansioso e confiante para a segunda temporada dele na NFL para provar que foi um steal lá na quinta rodada desse draft.

GO HAWKS!

5 comentários em “Mais um case de sucesso: A conversão SS>CB de Tre Flowers

  1. Ótimo trabalho pessoal , rastreando cada jogada , analisando a evolução e competência tanto dos jogadores quanto do corpo técnico , estaremos mais fortes …sensacional trabalho de vocês, parabéns

    Curtido por 1 pessoa

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